terça-feira, 19 de março de 2013

2 a.m

 Duas horas e quarenta e oito minutos da madrugada, ouvem-se tiros de espingarda, e por momentos penso o quão seria bom um cartucho entrar-me pelo peito e perfurar-me o coração.A dor que sinto neste momento é tão grande, que se partisse para o outro mundo agora não me importaria. É um pensamento egoísta mas estou detonada, consumida, devastada, tenho tanta coisa para dizer mas não consigo exprimir-me.As lágrimas percorrem o meu rosto de uma maneira tão leve, tão suave que até já parece algo habitual. Escorrem de uma maneira lenta, tão lenta que parece que sinto dor, uma dor que me vai consumindo, que vai acabando com o pouco que resta de mim, da minha felicidade.O meu coração já deveria estar habituado a certas situações menos boas, mas mesmo assim continuo sensível, sensível como uma pequena flor. Odeio sentir-me assim, pequena, frágil, que na realidade é aquilo que sou, mas não queria e ainda não aceito isso.A capacidade que as pessoas têm de me magoar assusta-me, assusta-me tanto que às vezes preferia fugir de todos e ir para um sítio sozinha, isolada de todo este mal que me rodeia e que poderá afectar-me.

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